CENTRO DE ENSINO E PESQUISA ALBERT EINSTEIN

São Paulo, SP

A primeira vez que tive contato com o projeto de arquitetura de Safdie Architects para o edifício do Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, entendi que havia sido destinado ao projeto de paisagismo um papel fundamental.

 

Uma reunião em Boston, às vésperas do Natal de 2016, tinha como propósito apresentarmos um estudo preliminar do projeto de paisagismo à equipe de arquitetura. Uma tarde fria e linda de domingo nos dava boas-vindas à cidade. Havíamos feito nas semanas que antecederam a viagem uma imersão no projeto de arquitetura para avaliarmos como poderíamos contribuir efetivamente. Muitos desenhos, até mesmo uma maquete de massinha verde que foi feita, sim, aquela mesma para crianças amassarem, nos ajudaram a entender de fato o espaço. Muitas vezes o desenho em 3D para nós paisagistas não é suficiente, pelo menos para mim.  

Concebemos o projeto com a ideia de que as áreas verdes eram remanescentes do lugar, onde árvores e palmeiras povoavam as encostas e o platô, como se o edifício tivesse sido esculpido neste terreno e a vegetação que ali estava se transformasse em jardins que permeiam e envolvem os blocos da edificação. Os jardins ganham estares, caminhos, acessos, conectando interior e exterior para dar vida ao edifício.

Sentimos que o espaço de jardim previsto pela arquitetura precisava de mais solo e se esparramar mais. Propusemos então um novo espírito para o desenho deste lugar, um jardim maior e mais orgânico. Nos dois dias que se seguiram à apresentação, o projeto de paisagismo foi sendo assimilado. Muito trabalho em conjunto com Moshe e sua equipe, desenhos e mais desenhos, uma nova maquete de papel, tudo para que visualizassem nossa proposta e pudessem estudar as alterações da arquitetura para a adaptação ao nosso projeto. Uma boa troca e um fértil resultado. Ao final, felizes, deixamos Boston.

Mais tarde, enviei a Singapura a arquiteta Nathalia Fonseca para conhecer projetos executados por Safdie com características similares. Essa viagem proporcionou troca de informações com o paisagista de Peter Walker, Adam Greenspan, que trabalhou naqueles projetos, além de visitas à sede do departamento de urbanismo de Singapura, Urban Redevelopment Authority, que tem um primoroso trabalho em áreas verdes, somando subsídios ao nosso projeto.

 

Um jardim central escalonado sob uma grande cobertura de vidro seria envolvido por todos os movimentos cíclicos do edifício. Uma enorme estufa onde todas as atividades da escola aconteceriam, tendo como foco central dos compassos circulares da arquitetura um jardim com a função de abrigar confortavelmente plantas e pessoas. A sensação que temos quando entramos numa estufa de vidro, com umidade e calor, aqui não seria bem-vinda. Equalizar os parâmetros ambientais do bem-estar de homens e vegetais em um ambiente fechado, apenas com luz e ventilação artificial, seria a grande questão. Reproduzir elementos de nossa floresta tropical neste tipo de estrutura mundo a fora privilegia as condições de temperatura, umidade e luminosidade para as plantas. Neste caso, a coexistência com os humanos que ali estarão com o propósito de estudar medicina é o desafio. Este é um trabalho inédito no Brasil, pela sua dimensão, o que nos envolveu em um copioso trabalho de pesquisa. Inúmeras reuniões com botânicos, inclusive contando com consultas à botânica do Kew Gardens, Sue Minter, que além de contribuir com as suas experiências, validou muitas de nossas percepções.

Mas este foi o começo e desde então, nos últimos quatro anos e meio do envolvimento do projeto de paisagismo com o projeto de arquitetura, mais os projetos complementares, o trabalho tem sido extenso e intenso.

Com o projeto agora em execução, as formas do jardim no Atrium consolidadas e a execução do plantio se iniciando, teremos muito o que compartilhar mais adiante.

 

Neste momento de pandemia e sua rasteira de tragédia, estar envolvida em um projeto que tem por objetivo a formação médica em um centro de pesquisa de excelência é alentador.

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Colaboração e coordenação arquiteta Nathalia Fonseca

Área total do jardim 9440 m²

Área interna 1320 m² 

Início do projeto 2016

Em execução