JARDIM PAULISTA

São Paulo, SP

No final dos anos noventa, Claudio Bernardes projetou esta casa em São Paulo com jeito de campo e sabor de beira mar, causando estranheza à arquitetura paulista. Com uma lufada de descontração carioca esta residência avarandada se voltou esparramada para o terreno generoso trazendo uma sensação de serenidade ao complexo e aflito dia a dia da cidade.

 

Muitas vezes, em nossos projetos, nos deparamos com uma página em branco e inúmeros recursos à nossa disposição para preenchê-la. Quando as possibilidades são muitas e as limitações poucas, tudo é mais difícil ao contrário do que parece. É preciso não ceder ao impulso de sobrecarregar esta página de elementos superpostos e muitas vezes redundantes. A simplicidade, provavelmente, ou na maioria das vezes, pode ser o melhor caminho e assim é indispensável entender a atmosfera do ambiente.

 

Todo lugar tem uma aptidão e um caráter. Busco sempre perceber no espaço em que vou trabalhar e criar qual é a sua essência ou eventualmente decifrar porque não causa emoção, quais as qualidades, os mistérios, as desarmonias, as inviabilidades ou seu trunfo. Destas percepções surge a medida das coisas e a origem de um bom lugar.

 

A vocação deste terreno sinalizou para mim um caminho claro de fazer deste jardim um parque, calmo e sem excessos.

 

Uma quadra de saibro era requisito para o cliente exímio jogador de tênis. As árvores e palmeiras escolhidas que acrescentei às poucas árvores existentes foram posicionadas como se fossem antigas habitantes sobre um gramado em que se pode andar, que é o grande passeio. Bauhinias, Cassia leptophila, pau-ferro, mirindibas, ipê roxo e rosa, e Howenia dulcis, envolvem o terreno amaciando os encontros pontiagudos de suas divisas. Grupos de palmeiras Livistona chinensis e seafortia traçam linhas verticais com seus troncos roliços cadenciando o espaçoso gramado e, junto com algumas árvores pontuais, desenham planos de sol e sombra criando meandros com profundidade.

 

Muitos anos mais tarde, em 2015, a casa iria passar por uma adequação e revisão de instalações e fui chamada para fazer a nova piscina, que agora deveria servir à natação.

 

A inserção de uma piscina de 25 metros de comprimento no terreno teve sua posição definida pelas palmeiras seafortia que havíamos plantado anteriormente. Concebi uma raia com um banco triangular submerso resultando em trapézio. Para o revestimento escolhi um granito rústico mineiro com peças retangulares de 30 cm por 1 m, as maiores que se podia conseguir. Este granito empresta uma bela cor à água e frescor de fonte, e tão bem se mimetiza com a pedra moledo que reveste a base da casa. O deck da piscina se junta à escada que leva à casa como se fosse um só piso.

 

Neste jardim já amadurecido, mais de 20 anos depois, convivem os mesmos habitantes, muito à vontade, com inúmeros pássaros, coelhos e cachorros, com a mesma despretensão.

Área 3200 m²

Projeto e execução 2015-16